Trecho do livro Divã, de Martha
Medeiros:
“Mônica me disse outro dia que sente
inveja de mim porque eu não tenho medo de nada. Eu respondi, como assim? Eu
morro de medo de um monte de coisas. Diz uma, ela me provocou. Tenho medo da
morte, falei. Ah, essa não vale, quem não tem? Já eu tenho medo de cachorro,
medo de altura, medo de andar de Kombi, medo de ficar sem dinheiro... Mentira,
Mônica, você é valente, esses medinhos aí não contam. E ela: mas nem medinho
você tem, criatura. Diz pra mim um.
Lopes, fiquei ali pensando. Medo do
escuro? Já tive, hoje não. Medo de avião? Nenhum. E no entanto sinto um medo
asfixiante, um medo que não consegui explicar pra Mônica porque não é um medo
catalogado, não é assim como um medo de cobra, trovão, seqüestro. Eu teria medo
de saltar de pára-quedas, eu acho, mas isso nem se compara com o medo que eu
sinto de mim.”
Este trecho sobre medo me fez
refletir sobre o medo que tenho sentido de ser eu, pois acho que tenho vivido
na sombra de agradar os outros, esquecendo de me agradar, as vezes penso que me
perdi e paro pra perguntar quais são meus objetivos, sonhos, essas coisas
referente ao futuro e fico bege quando vejo que não tenho uma resposta formada
sobre isso.
Acho que além de estar com saúde e
que meus filhotes estejam bem, não tenho muitos planos futuros, aliás, eu até
tenho, mas acho que deixei que tirassem de mim e vou lutar para reconquista-los
e principalmente realiza-los.
Bjs!!
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